DOCE (AMARGA) AMAMENTAÇÃO

RELATO DA AMAMENTAÇÃO NA VIDA REAL

Eu queria um parto de novela. Sabe aqueles que você espirra e o neném sai? Então, exatamente assim! Mas não rolou. Então foquei no “ideal” dois da maternidade das mães de primeira viagem, iria amamentar. Deus do céu, como uma coisa tão natural pode ser tão difícil? Simplesmente, porque não é tão natural! Foi minha conclusão. Nos dois dias de hospital, não me lembro bem como foi, mas era tanta visita, enfermeiras, remédios, novidades, que passou. Em casa, a realidade foi outra. Tinha feito o dever de casa de “preparar o bico do peito”, esfregava bucha, toalha, até pedra pome se dissessem que daria certo. Não sei se ajudou ou não, prefiro pensar que teria sido ainda pior sem isso.

O que mais odiei durante um mês foi campanhas de Dia das Mães (ainda bem que estávamos em janeiro e não precisava ver nada disso). Gostaria que estes anúncios de plenitude entre mãe e filhos durante a amamentação viessem com dados do Ministério da Saúde no rodapé: imagens possíveis a partir do terceiro mês de vida. A cada pegada da Alice eu respirava para segurar a dor, a mini linguinha parecia um canivete que me rasgava um pouquiho por vez. A lágrima parava no meio da bochecha e embalávamos na mamada. Ufa, passamos mais uma vez. E a lágrima seguia seu percurso ao lembrar que em algumas horas teríamos tudo de novo!

Quanto tempo vivemos nesse ciclo, não me lembro bem (minha memória está péssima, devem ser as seguidas noites sem dormir, mas isto é assunto para outro texto). Mas enfim, engrenamos, até a página dois, quando conheci a mastite. Se não conhece este termo, sorte sua! Nos primeiros sintomas, ainda não sabia o que era, mas sabia que algo estava errado. Conversei com meu médico e ele disse, é a febre do leite. Tranquilo para se somar a noites em claro e uma eterna sensação de cano furado (TODAS as minhas blusas eram pingadas de leite). Diagnosticada, medicada, voltei ao refúgio e fui cuidada, pela mãe da mãe. Aquela que sempre enxerga a filha, e não uma nova mãe. A febre era tão alta que a um braço de distância já era possível sentir o calor que eu emanava.

Não desistam, este texto tem um final feliz! Depois de todos estes percalços, enfim, engrenamos. Minha meta pessoal eram seis meses. Cheguei aos seis, e não soube como parar, tá bem, vamos um pouco mais. Nova meta: um ano. Neste momento morávamos em outro país, já era tanta novidade naquela vidinha, que fiquei com receio de mudar mais, e seguimos. Nova meta: 18 meses. Aqui a verdade veio a tona, eu tinha medo! Não sabia parar, tinha certeza de que seria A Mastite – Parte II. E fui atrás de ajuda. Por um lado estava mais do que orgulhosa de mim, tinha batido minha meta mais de uma vez. Não dei ouvidos as criticas e olhares que recebia de ter uma meninas que já andava, falava, comia de tudo, ainda mamando. Mentira, em alguns momentos ficava com vergonha (que grande bobagem!). Fui atrás de ajuda profissional. Neste momento já estava a quase três anos sem menstruar (esta parte amei), comia todas as bobagens da vida e seguia super magrinha (gratidão maior), mas quando a menstruação voltou, vi que meu corpo estava dizendo: parabéns, você venceu, agora vamos concluir esta etapa.

Foi um mês de preparação, diariamente dizia a ela: “Filha, depois do parabéns de 2 anos (sim, cantei parabéns 30 vezes e soprei velinhas invisíveis na mesma quantidade), acabou o mama, tá bem?”. Criança aprende por repetição, dizia minha pediatra. A princípio, duvidei, mas entrei na vibe. Ela completou 2 anos no meio da semana, dei uma sobrevida (não sei se a ela ou a mim). E no domingo seguinte da festinha, o sol brilhou mais forte sobre nós, havíamos completado a jornada. “Filha, lembra o que acontece depois do parabéns de 2 anos? Acaba o mama”. Ela me olhava, entendendo o que eu dizia, mas sem querer concordar. Escrevendo assim parece que foi fácil. E na verdade foi sim, bem mais fácil do que pensei. Mais importante que isso, senti que foi gentil, tanto para ela, quanto para mim. Não é uma receita pronta, não estou como profissional desta área para saber como fazer o melhor ou não traumatizar as partes envolvidas. Mas descrevo com todo detalhe e emoção, o que funcionou para mim.

Ela pediu por mais uns dois dias, eu lembrava nosso combinado e ela aceitava bem. Contou para a prima melhor amiga, “Cabô mama!”. Sim filha, acabou o mamá. Mas como a mamãe sempre lembra: tem muito colinho, carinho, amor… esses são inesgotáveis! Nesta foto, cerca de um mês antes do desmame, pra mim a sensação era de puro prazer – sabia que os dias estavam contados. Pra ela, sob o meu olhar, era sempre um momento de Carpe Diem. Feliz de ter proporcionado isto a você Filha. Feliz de ter proporcionado isto a mim.

SE VOCÊ GOSTOU DESSE RELATO, VAI CURTIR ESSE OUTRO QUE A LORENA FALA MAIS SOBRE A MATERNIDADE!

A MATERNIDADE CONTADA POR MULHERES REAIS

 Relato sobre a maternidade, por Lorena Castro.

 Lorena Castro
Lorena Castro

Mãe da Alice (2 anos), esposa do Lobão e tia de quatro lindos sobrinhos: Enzo (10 anos), Valentina (9 anos), Lucca (7 anos) e Manu (4 anos) que acabaram sendo um teste para a maternidade. Costumava ela dizer, antes da Alice, que era a mais maternal das amigas, mesmo sem ter filhos. Escrever sempre foi um prazer, queria ter agilidade de colocar no papel as palavras que brotam na mente assim, de repente, ao maternar. Ser mãe sempre foi um sonho, difícil de realizar, mas enfim, se concretizou! Formou-se publicitária, onde a intimidade com a escrita se estreitou em meio a tantas aulas de produção de texto.  Aqui no blog compartilha as dores e delícias do seu maternar através de crônicas emocionantes de temas corriqueiros desta jornada.

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