A MATERNIDADE CONTADA POR MULHERES REAIS

RELATO SOBRE A MATERNIDADE, POR LORENA CASTRO

Olá, sou a Lorena, mãe da Alice e esposa do Lobão. Meu marido e eu sonhamos – e tentamos – ter um filho por um bom tempo. E de repente, numa tarde comum de trabalho em que tudo que eu queria era um exame negativo para apelar para algum tratamento, veio um positivo. Naquele momento Filha, eu te amei. Agradeci, chorei, contei para meus pais, irmãs e marido. O que havia ensaiado durante um ano caiu por terra, a filmagem que tentei fazer aparece um futuro pai de cueca num flash e uma câmera apontada pro teto. Pelo menos dá para se divertir com o diálogo: “Lorena, isso é verdade?” me pergunta ele ao LER a palavra GRÁVIDA no teste DIGITAL. “O que você acha? Que vendem assim na internet?” Respondo eu em gargalhadas. Enfim, engenheiro que é, achei melhor fazer logo um exame de sangue para mostrar números. Ele não teve mais dúvidas. Naquele momento Filha, nós te amamos.

Minha gravidez foi um sonho. Passados os primeiros meses um pouco incômodos, desfilava a barriga e amava o efeito que ela causava nas pessoas ao redor. Acho que naquele momento comecei a sentir a sororidade. Ao mesmo tempo em que comecei a me confessar de todos os julgamentos que havia feito em vão ao longo da vida sobre as mães:

“Sério que ela sai de casa escondido do filho? Que bobagem” pensava eu sem conhecer a Lorena do futuro que fazia isso toda terça e quinta antes do Pilates.

“Deus me livre dormir na minha cama, primeiro porque tenho medo de dormir em cima dele” dizia eu nos remotos tempos em que pensava que era possível dormir depois da maternidade.

“Vou passar minha licença maternidade viajando, praticamente um sabático” planejava eu sem saber o que significava mastite, peito rachado, vacinas ou introdução alimentar.

E ai chegou o grande dia. Assim, de repente, muito antes do planejado, ela resolveu chegar. Marinheiros de primeira viagem que fomos, chegamos na maternidade como quem não quer nada e descobrimos que sim, aquilo era um indicio de que ela iria nascer. Foi estranho, foi repentino, me deu um apagão dos meses de preparação e ela nasceu. Naquele momento Filha, eu não te amei. Eu amava a barriga, amava minha vida, amava a gravidez, amava minha liberdade. Com um serzinho nos braços que não sabia o que fazer, com dores pelo corpo que não sabia de onde vinham, com peito mais duro que cimento, não dava para amar nada – nem ninguém. Os dias que se seguiram hoje são momentos de apagão na minha memória. Só lembro que foram difíceis, mas não sei mais os detalhes. Deve ser a tal perda de memória seletiva que faz com que mães tenham outros filhos (sou caçula de tres, obrigada Deus pelo apagão).

Outro dia me perguntaram qual o momento que mais me marcou até hoje, minha resposta foi justamente o nascimento da Alice. Mas não pelo amor, ao contrário, pela dor (física e emocional) mas que me tornou forte e orgulhosa de mim mesma. O amor foi sendo construído e hoje é claro e essencial como respirar. Mas a sensação de fortaleza.. ah essa me fez sentir grande, poderosa, indestrutível. Orgulhosa de conseguir amamentar, de tanto durar, e de conseguir parar. Grata por enxergar a dedicação da minha mãe e poder dizer isso a ela. Feliz de ter irmãs mães que me ensinam com seus exemplos (do que devo e não seguir hehe). Enfim, como mãe, me acho foda. Esta sou eu, na minha visão.

Fotos: Rochelle Vaz

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 Lorena Castro
Lorena Castro

Mãe da Alice (2 anos), esposa do Lobão e tia de quatro lindos sobrinhos: Enzo (10 anos), Valentina (9 anos), Lucca (7 anos) e Manu (4 anos) que acabaram sendo um teste para a maternidade. Costumava ela dizer, antes da Alice, que era a mais maternal das amigas, mesmo sem ter filhos. Escrever sempre foi um prazer, queria ter agilidade de colocar no papel as palavras que brotam na mente assim, de repente, ao maternar. Ser mãe sempre foi um sonho, difícil de realizar, mas enfim, se concretizou! Formou-se publicitária, onde a intimidade com a escrita se estreitou em meio a tantas aulas de produção de texto.  Aqui no blog compartilha as dores e delícias do seu maternar através de crônicas emocionantes de temas corriqueiros desta jornada.

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4 comentários em “

  1. A palavra escrita, quando usada sabiamente, nos leva a viver experiências pelos outros. Parabéns pelo texto… Sendo a maternidade um dom feminino, você assim consegue nos fazer sentir e compreender um pouco mais..
    Show!!!!!! Não páre mais !!!! Mágno Penalva

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